Release Teletema

 

TELETEMA Volume I: 1964 a 1989

A história da música popular através da teledramaturgia brasileira

AUTORES: GUILHERME BRYAN E VINCENT VILLARI

TELETEMA é um projeto tão ambicioso quanto importante - e adorável. Nos dois volumes desses livros, seus autores Guilherme Bryan e Vincent Villari comentam todas as trilhas musicais de produções teledramatúrgicas que já foram comercializadas no Brasil. Através deste detalhado inventário, explicam também de que maneira as canções foram fundamentais para estabelecer a teledramaturgia como um dos maiores ícones da cultura pop brasileira, com qualidades e apuro técnico reconhecidos mundo afora; e como essa produção, realizada em ritmo industrial, se tornou uma importante vitrine para os artistas da música brasileira e para o sucesso de uma música.

Vistas por dezenas de milhões de espectadores ao longo das últimas décadas, as produções da teledramaturgia apresentam diariamente suas tramas de ódios, amores, ambições e vinganças, refletindo o momento histórico do país no retrato dos valores e costumes da época em que são exibidas e estabelecendo, consequentemente, fortes laços afetivos com o público que as acompanha. As músicas que embalaram as aventuras de cada personagem tiveram papel fundamental nessa conexão emocional. Basta lembrarmos hoje clássicos como “Modinha para Gabriela”, com Gal Costa, tema de “Gabriela”; “Pecado Capital”, de Paulinho da Viola, da telenovela de mesmo nome; “O amor e o poder”, com Rosana, que acompanhou a personagem de Vera Fischer em “Mandala”; “Dona”, que se tornou inesquecível na gravação do Roupa Nova e ilustrou as cenas da viúva Porcina (Regina Duarte) em “Roque Santeiro”, para ficar nos exemplos mais marcantes.

Teletema não é um almanaque, apesar de estar ricamente ilustrado com mais de 300 capas de discos e trazer muitas informações curiosas para se compreender a história da música brasileira (e mundial, já que as trilhas internacionais também estão presentes e são comentadas) e a teledramaturgia feita no país e exportada mundo afora. A ideia foi realizar um estudo no sentido macro – da importância que música e teledramaturgia, duas das três paixões nacionais (a outra é o futebol) tiveram uma para a outra no que foi o primeiro caso bem-sucedido do cruzamento de mídias da indústria cultural brasileira – e também no sentido micro – com a análise de cada trilha musical, com suas faixas, os temas dos personagens e comentários dos artistas e produtores musicais responsáveis pelo álbum em questão.

Agora, em outubro de 2014, está sendo lançado TELETEMA Vol. 1. Esse primeiro volume cobre o período de 1964 a 1989, época crucial na elaboração, formatação e evolução das telenovelas, e na maneira de se criar canções para as tramas, com várias fases distintas. No início, grandes maestros e sonoplastas eram responsáveis pelas trilhas; em seguida, compositores passaram a ser convocados para criar temas específicos para as tramas e até mesmo para criar as trilhas completas, como aconteceu com Raul Seixas e Paulo Coelho (“O Rebu”), Erasmo e Roberto Carlos (“O Bofe”) e Toquinho e Vinicius de Moraes (“O Bem Amado”), entre outros. Num terceiro momento, quando Guto Graça Mello assume o controle das produções da TV Globo, elas tornam-se coletâneas de grande sucesso comercial ao misturar músicas já gravadas com outras especialmente encomendadas. No final da década de 1980, há uma transição após a saída de Guto Graça Mello, quando diretores artísticos de diferentes gravadoras assumem trilhas completas, caso de Liminha com relação a “O Outro” e Max Pierre com “Mandala” e “Vale tudo”.

De ‘A Deusa Vencida’ (TV Excelsior, 1965) a ‘Pacto de Sangue’ (TV Globo, 1989), o livro mapeia cada trilha da teledramaturgia brasileira que chegou às lojas. Não se trata, portanto, apenas de telenovelas – apesar de elas comporem a grande maioria do livro -, mas também de seriados e minisséries. Além de fichas técnicas resumidas, os autores explicam a trama de cada obra e mostram como foram criadas ou escolhidas suas respectivas seleções musicais e de que forma estas funcionaram e repercutiram. Cerca de 220 obras da teledramaturgia são abordadas neste primeiro volume, e cada parágrafo nos conta histórias que revelam os bastidores da criação artística, com depoimentos de músicos e dos responsáveis pelas trilhas musicais. Você sabia, por exemplo, que a última música gravada por Elis Regina foi feita especialmente para a novela “Brilhante”, a pedido do autor Gilberto Braga? Que Tom Jobim pediu a Júlio Medaglia para fazer a trilha musical da minissérie “Grande Sertão, Veredas”, e Medaglia recusou? Que Chico Xavier, após receber uma mensagem psicografada, pediu a Ivani Ribeiro que o tema romântico da novela espírita “A viagem” fosse gravado em francês? Que Guilherme Arantes precisou mudar a letra de “Meu mundo e nada mais” para encaixá-la na novela “Anjo mau” e iniciar assim sua bem-sucedida carreira de intérprete? Que Toquinho compôs sozinho o tema de “O bem amado” e depois convenceu o distraído Vinícius de que ele havia participado da composição também? Que Zizi Possi decidiu dar uma guinada no conceito artístico de sua carreira após gravar uma canção para a novela “Vida Nova”? Que a canção “De volta pro aconchego” preparou a entrada do protagonista de “Roque Santeiro” na trama, o que comoveu fundamente a intérprete da música, Elba Ramalho? E que muitos cantores que adotaram nomes em inglês nos anos 1970 – caso de Fabio Jr. (no caso, Mark Davis), Chrystian (que depois formou dupla com Ralf) e Michael Sullivan – tiveram suas carreiras determinadas por estas trilhas?

E temos que esclarecer aqui que Bryan e Villari optaram pelo termo “trilhas musicais” em detrimento de “trilha sonora”, já que esta expressão abrange também aspectos de sonoplastia e música incidental - apesar de estes assuntos também serem abordados, por exemplo, com entrevistas de nomes como Julio Medaglia e Mu Carvalho.

Com depoimentos de Salatiel Coelho (o primeiro sonoplasta da teledramaturgia e o “criador” das trilhas musicais, descoberto pelos autores vivendo anonimamente em Poços de Caldas), Nelson Motta, Guto Graça Mello, Roberto Menescal, Mariozinho Rocha, Cayon Gadia, Wando, Zé Rodrix, Gal Costa, Erasmo Carlos, Toquinho, Paulinho da Viola, Rita Lee, Ney Matogrosso, Paulo Sérgio Valle, Lulu Santos, Djavan, Cesar Camargo Mariano, Gilberto Braga, Silvio de Abreu, Zizi Possi, Nana Caymmi, Egberto Gismonti, Rosana, Antônio Adolfo, Ritchie e Fafá de Belém, entre tantos outros – o número de entrevistados chega a 130 – as trilhas musicais das novelas e minisséries brasileiras arregimentaram os maiores cantores, compositores, músicos, maestros e arranjadores do país. E revelaram ou consagraram boa parte dos nomes que se destacaram na música brasileira. Não à toa, os campeões de presença em trilhas são Gal Costa e Caetano Veloso, embora também mereçam destaque Djavan, Roupa Nova, Wando e José Augusto. Afinal, as trilhas sempre se mostraram espaços democráticos, reunindo o que é considerado mais sofisticado com o mais popular. E as trilhas internacionais não ficaram atrás, mobilizando quase todos os principais nomes da cena pop mundial. Ouvimos nas telenovelas brasileiras de Bach a Ennio Morricone, de Bing Crosby a James Brown, de Edith Piaf a U2, de Louis Armstrong a Milli Vanilli, passando pelo rock, pelo funk e soul da época de ouro da gravadora Motown, pela febre da disco music nos anos 70 e pelo pop dos anos 80.

De linguagem simples e direta, TELETEMA Vol. 1 é divertido, informativo e esclarecedor, sem ser opinativo, mas não deixando de abordar o fenômeno por vários ângulos distintos, fruto de uma intensa pesquisa em livros, revistas, jornais e sites, que é acompanhada pela audição cuidadosa de todos os discos – ressaltando detalhes curiosos de letras, por exemplo – e das centenas de vozes que dialogam e se completam ao longo da obra. Não à toa, entre pesquisas, entrevistas e redação, os autores levaram mais de dez anos para realizar este projeto.

Rever tantos personagens inesquecíveis, interpretados pelos maiores atores brasileiros, acompanhados por temas marcantes, que se tornaram grande sucesso no rádio, é um prazer único. Aqueles que não viveram essa época têm em mãos um livro que oferece uma imersão no que de mais popular e marcante foi produzido pela cultura brasileira nos últimos 50 anos. Subestimar o valor da teledramaturgia, e da música nela incluída, é interpretar de forma errônea a própria cultura brasileira. Trata-se, portanto, de um raio-X dentro do universo da música e da teledramaturgia brasileira, e que servirá como fonte fundamental de pesquisa e estudo por quem se interessa por este assunto.

TELETEMA Vol.1 se divide em quatro capítulos, sendo que cada um deles cobre um período específico da produção televisiva “noveleira” brasileira.

1964 a 1968 - O início da telenovela diária / A Era Salatiel Coelho / As primeiras trilhas musicais  / Os sucessos de A Deusa Vencida, O Direito de Nascer e Antônio Maria.

1969 a 1974 - A revolução de Beto Rockfeller / A Era Nelson Motta / A criação da Som Livre / A MPB nas telenovelas: a contribuição de grandes compositores para o gênero / Os sucessos de Véu de Noiva, Irmãos Coragem, O Cafona e Selva de Pedra

1975 a 1984 - Pecado Capital: Dinheiro na mão é ...sucesso! / A Era Guto Graça Mello / Estúpido Cupido: um estouro de vendas / As novelas determinando as paradas musicais brasileiras / Dancin’ Days e a febre da Disco Music / Os sucessos de Gabriela, Escrava Isaura, Pai Herói, Baila Comigo e Guerra dos Sexos.

1985 a 1989 - Roque Santeiro: a melhor trilha musical para a melhor telenovela / A Era Sullivan & Massadas / O Amor e o Poder: a popularidade, o sucesso radiofônico e as vendagens das trilhas de novelas atingem seu auge / Os sucessos de Cambalacho, Roda de Fogo, Vale Tudo, O Salvador da Pátria e Que Rei Sou Eu?

 

Sobre os autores

Vincent Villari nasceu em 1978 e é formado em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero. Contratado pela TV Globo em 1995, participou da equipe de roteiristas das minisséries “A muralha”, “Os Maias” e “A casa das sete mulheres”, e das novelas “Anjo Mau”, “Da cor do pecado”, “Cobras e lagartos” e “A favorita”. Em parceria com Maria Adelaide Amaral, escreveu as novelas “Ti ti ti” e “Sangue Bom”. É autor do romance “A lua e o aço”, do livro de contos de humor “A que ponto chegamos” e do infantil “O livro mais chato do mundo”, escrito em parceria com Luciana Garcia.

Guilherme Bryan nasceu em 1975 e é jornalista com passagem e/ou colaboração em veículos como “Jornal da Tarde”, “Folha de S. Paulo”, “Cult”, “Yahoo! Brasil”, “MTV Brasil”, “Multishow”, “Revista do Brasil”, “Língua Portuguesa”, “Rolling Stone”, “Bizz” e “Rádio Brasil 2000 FM”. É roteirista e diretor da série de documentários “100 anos de samba”, do canal Brasil. Professor do Centro Universitário Belas Artes e do Museu da Imagem e do Som - SP. Doutor em Meios e Produções Audiovisuais pela ECA-USP, com tese sobre o videoclipe brasileiro, tema de um livro que desenvolve atualmente. E autor do livro “Quem tem um sonho não dança – cultura jovem brasileira nos anos 80”, adaptado para uma série de documentários a ser exibida no primeiro semestre de 2015 pelo canal Curta!.

 

Ficha técnica

Teletema – A história da música popular através da teledramaturgia brasileira – Volume 1 – 1964 a 1989

Editora Dash

R$ 69,00

ISBN: 978-85-65056-59-5

512 páginas

Formato: 16x23cm

Brochura

São Paulo, SP - 2014

 

LANÇAMENTO LIVRARIA CULTURA

Dia 8/11 as 16h na Virada da Cultura

Com coral e presença dos autores

 

 

MAIS INFORMAÇÕES:                                                                                                                              DEZ Comunicação / Marilda Vieira                                                                                                         Tel.: (11) 3666.3299 ou (11) 9.6900.1322 ou (11) 9.7159.2996                                                          e-mail: O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

 

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